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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Depressão, mãe narcisista, e “me ajudar”.


Eu, como filho de uma mãe narcisista, fui colocado naquele lugar do filho que vai suprir o narcisismo da mãe. Eu deveria me preocupar com ela para sempre e fazer tudo por ela  e só. Ela nunca veria (como nunca viu) que eu precisava de amor, carinho ajuda e nunca daria isso. Uma mãe narcisista acha que o filho deve viver para ela, em função dela.
Durante minha adolescência comecei a pedir as coisas das quais precisava , as mais básicas, como ir ao dentista, estudar... E a resposta dela sempre foi não. Jamais entendi porque isso, já que na época ela tinha dinheiro. Hoje entendo que uma mãe com distúrbio narcisista é completamente incapaz de perceber o filho como um “outro”. O filho é ela. Ela vê o filho como parte dela e ponto final. Sendo assim , na cabeça dela, se ela está bem o filho está bem, se ela está mal o filho está mal. O filho é um apêndice, apenas uma parte da mãe.
Esse era o mecanismo, que hoje sei, é o clássico para pessoas com essa personalidade patologicamente narcísica. A mãe ( no meu caso) jamais dá nada ao filho, porque ela crê que o filho somente existe para suprir as necessidades narcisistas dela. Ela manipula, controla, mente e trapaceia de diversas formas para que o filho permaneça nesse lugar.
Comigo foi assim.
E eu ali, louco, dizendo : mãe, quero estudar, me ajude. E ela dizendo não. Mãe quero fazer um curso, e ela negando outra vez.
Eu fui criado assim, filho de uma mãe com distúrbio de personalidade narcísica -descobri esse nome outro dia, meio jocoso - mas explica muita coisa da minha vida. Uma hora vou traduzir e postar aqui.
Como filho de uma mãe narcisista eu aprendi que minha maior função na vida era suprir. Suprir minha mãe da atenção, carinho, admiração e do cuidado que ela exige em doses absurdas. Mas suprir de atenção, para uma pessoa com distúrbio de personalidade narcísica, pode ser também suprir com raiva, revolta ou qualquer outro sentimento forte que demonstre que ela é o centro de tudo.

E passei a ser assim na minha vida. Me tornei um especialista em suprir as necessidades dos outros e fingir que eu não tenho necessidade alguma. E me sentir culpado quando eu tenho necessidades. Fui uma criança e um adolescente que resolvia tudo sozinho, ou fingia que resolvia para não levar problemas para minha mãe. E na escola fiz a mesma coisa, eu jamais demonstrava eu admitia que precisava de alguma ajuda. Eu nunca admitia que precisava de algo, que precisava de ajuda, atenção, carinho, amor. E aprendi a manipular também. Se a única forma de fazer minha mãe olhar para mim era quase morrer, ficar na miséria, estar sempre muito, muito mal, foi isso que fiz na minha vida. Se minha mãe só se mobiliza afetivamente numa tragédia – porque assim ela se sente uma salvadora e alimenta sua alma narcísica – então eu fiquei na miséria propositalemente para conseguir o amor dela. Minha mãe é do tipo que empurra você num abismo, e quando você está quase morrendo ela vem e te salava. E aí ela é uma heroína que te salvou, mas também é a assassina que tentou te matar. Como lidar com tanta ambiguidade?
Ninguém sabe. Ninguém na família inteira consegue entender o que se passa com ela, porque ela é assim. Mas ela é.

Como eu fui criado como uma parte da minha mãe, uma coisa que existia apenas para satisfazê-la. Eu vivia  completamente focado nas necessidades dos outros, sobretudo da minha mãe. Depois das minha irmãs, dos amigos... Fui construindo relações na vida em que era assim. Eu era a pessoa que supria as necessidades dos outros e eu jamais demonstrava as minhas próprias necessidades. Meus poucos relacionamentos foram assim e o meu casamento foi um exemplo disso. Eu era uma apêndice. Vivi em função do cara achando que seu eu fosse de uma generosidade absurda com ele eu jamais seria abandonado. Lembro de uma vez em que ele me pediu ajuda para fazer a declaração de imposto de renda dele. E eu fiz. Era complicada, tinha mil recibos, deu um trabalhão. Eu fiz a dele e não fiz a minha. Simples assim. Perdi horas organizando documentos e preenchendo aquela merda e não fiz a minha própria. Não entreguei a minha declaração naquele ano, mas entreguei a dele. Eu sempre fui a pessoa que morre de fome mas ajuda quem está ao lado a arranjar comida. Minha autoestima, a noção de amor que ganhei da minha mãe estava ligada a isso, é como se ela sempre dissesse: “Você só será amado se você viver 100% do seu tempo e da sua vida para mim”. E assim eu fui, deixando a minha vida se despedaçar , vivendo os problemas dos outros, ajudando os outros, procurando quem eu poderia ajudar, ajudando até quem não queria ser ajudado por mim. Eu fiz isso, e faço ainda,  porque eu sou um poço de bondade? Não, eu faço isso porque esse é o único modo com que eu consegui amor da minha família, o amor da minha mãe. Se é que posso chamar isso de amor. Então eu quero é conseguir amor, atenção e carinho dessa forma.  E fiquei viciado nisso. É uma compulsão. Não é bondade, não. É a minha forma de ganhar amor, de afastar o medo que tenho de ser abandonado, de ser admirado e de satisfazer as MINHAS necessidades narcísicas neuróticas.
Eu suportei essa situação com toda minha família, e com os amigos por muito tempo. Até que eu surtei. Perdi tudo que eu tinha, entrei nessa depressão. E aí, em depressão profunda, a beira da morte, na miséria, eu consegui pedir ajuda. E entendi que minha família não iria escutar meus pedidos. E realmente nunca escutaram , nunca ajudaram até que me viram quase morrer.
Sim, eu acho que essa depressão toda, a miséria financeira, a dor, os pensamentos suicidas tudo isso serviu para eu conseguir, pela primeira vez, dizer para a minha família: olha , estou aqui morrendo, será que assim vocês podem ver que sou um ser humano e preciso de ajuda, carinho, amor, como qualquer outro?
Eles viram. Mais ou menos. Bem mais ou menos.
Ajudaram um pouco também.
Mas o mais importante dessa história toda é que na minha vida eu não aprendi a “me ajudar”. Não aprendi a pensar em mim, cuidar de mim, resolver minha vida. E não adianta ficar pedindo ajuda pra sempre. Eu preciso saber resolver minha própria vida. Preciso pensar em mim. Sem culpa. Porque eu me sinto terrivelmente culpado por pensar em mim. Sempre arranjo o problema de outra pessoa pra resolver. E deixo os meus sem serem resolvidos.
Pensar em mim é algum pecado?
Ser egoísta agora é algum pecado?
Pesar em mim em primeiro lugar me dá tanta culpa...
Isso é a deformação que ser filho de uma mãe narcisista produz em você.
Eu já aprendi que minha mãe narcisista não vai mudar, não vai enxergar minhas necessidades, não vai se sensibilizar com meus problemas e jamais vai me ajudar a não ser que eu esteja literalmente morrendo.
Isso nunca vai mudar.
E grande parte da minha família e meus amigos mais próximos que são exatamente como minha mãe também não vão mudar. Talvez, se eu conseguir mudar minha atitude, eles mudem a deles também. Talvez não.
Mas o que é importante é que eu consiga ser autônomo, consiga cuidar dos meus problemas e me livrar da compulsão que tenho em me meter nos problemas dos outros, ajudar aos outros... E também da compulsão de depender dos outros, de depender da ajuda dos outros... O problema não é ajudar a alguém, o problema é ser viciado nisso. E mais, ser viciado em ajudar os outros e esquecer das minhas necessidades.

5 comentários:

  1. Cara, lendo o que vc escreveu, tem um áudio q é perfeito pra vc. Tu é o típico caso da propaganda do garçom que segurava uma bandeja de bombons... todo mundo se lembra dda bandeja de bombons, mas ninguém lembra da cara do garçom. Vc precisa reconstruir sua auto-estima. Se quiser ouvir, tá aqui o link: http://www.4shared.com/mp3/nM2x03wX/Psicloga_Elizabeth_Pimentel_-_.html?
    Dá pra ouvir sem baixar se quiser. Espero que ajude. Vou ficar orando por essa questão tb.

    bjs da Flor ~*

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  2. Olha, como já diria minha psicóloga, o primeiro passo é ter consciência do problema, pra tentar entender suas reações e descobrir um jeito de mudar os padrões. É, eu sei, tudo parece muito teórico... Mas quem sabe ajude?

    Bjos e fica bem.

    http://borderline-girl.blogspot.com.br/

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    1. O jeito de mudar os padrões ve aos poucos, e concordo, ter consciência é o primeiro passo. De certa forma, escrever aqui é um jeito de se dar conta das coisas, botar pra fora os maus sentimentos, "pensar alto" e ter quem escute... sei lá, escrevr em um blog tem se revelado, pra mim, um grande processo de exorcisar tuo isso...

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  3. minha mãe tbm é assim, mas ela tem esquizofrenia! qnd eu comecei a ter vontade própria (10 anos de idade) q o bicho pegou, vivíamos em guerra, pq eu não aceitava as coisas q ela fazia, as histórias q ela inventava, sim né, pq além das características da tua mãe, ela ainda via gente morta, inventava histórias q nunca tinham acontecido, achava q era médium, tinha mania de grandeza, um monte de coisas q eu não aceitava e não compreendia! por muita sorte, ela e meu pai se separaram qnd eu tinha 13 anos e eu quis morar com meu pai, a partir de então ela foi embora e nunca mais lembrou q tinha filha, nunca ajudou no meu sustento, nunca foi uma amiga, nunca esteve presente em momento algum, mas, até hj, ela me cobra um amor q ela nunca me ensinou a ter! eu procuro ser amistosa com ela, pq hj eu entendo q ela tem uma doença, mas de tempos em tempos eu tenho de dar um choque de realidade nela e cortar, se não ela me enlouquece, agora mesmo estamos sem nos falar pq ela andava me atormentando de novo, eu digo pra ela q nada que dou pra ela é suficiente, ela sempre quer mais e me exige o impossível e q enquanto ela não aceitar a realidade não dá pra termos contato, pq não tenho estabilidade emocional pra lidar com a minha depressão e com a esquizofrenia dela! ai, passa um tempo, ela se acalma, finge q entende como as coisas são, se controla por um tempo, dali a pouco surta de novo e começa a me cobrar amor de mãe e filha, coisa q ela nunca me ensinou a ter... como é difícil!!!

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  4. Minha mãe eh assim... estou descobrindo isso.

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