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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

As perdas e as cagadas.

Ah, o final do ano...
É estranho estar em família nesse fin al de ano. Ok, estamos apaziguados, as relações estão indo bem. Mas isso não apaga uma vida inteira de merdas e mais merdas. E quando convivo com eles, relembro... Não tem como não lembrar, as atitudes ainda são tão parecidas... As coisas mudaram porque eu mudei e não faço mais o jogo, não entro mais em discussões, mas as atitudes são sempre as mesmas. E, para ser muito sincero, o amor mudou. Não sinto muito afeto por meus pais mais, preferiria nem conviver. Não é nenhum caso sério, mas o fato é que se você me perguntar se eu prefiro estar perto ou longe da minha mãe e do meu pai, eu responderei: longe.
Fico chateado porque acho que as coisas poderiam ser diferentes se eles pudessem mudar de atitude, mas isso não vai acontecer, então conviver com eles é ouvir queixas o tempo todo, ouvir minha mãe falando mal de todo mundo, ouvir ambos se fazendo de vítima e fazendo chantagem. Basicamente é isso.
Não gosto de estar lembrando disso, mas com eles, a cada atitude sou obrigado a lembrar. Enfim, meus pais são pessoas que eu não admiro e é difícil conviver com eles.
Mas o mais importante é saber que isso é assim e não cair em depressão.
Minha vida está bem melhor, mas ainda está em frangalhos. E num final de ano você olha e pensa, que merda, tudo tão ruim ainda... Mas ok, antes estava pior e a tendência é melhorar.
Volta e meia os mesmos problemas vem a cabeça.
Minha vida foi uma sucessão de dificuldades muito grande. Os pais péssimos, as condições de vida péssima, coisas que nem vale a pena falar de novo. Somado a isso tudo o fato de ter depressão, crises de ansiedade, fobia social que nunca foram tratadas ( meus pais diziam que era frescura minha, ou diziam que eu era louco, ou preguiço, ou inútil, ou tudo ao mesmo tempo...). Então vi muitas oportunidades passarem, muitas coisas comecei e não terminei, outras nem tive coragem de começar... Enfim, uma vida de muitos sonhos e poucas realização... Isso ainda me dói. Sei que pensar no passado e naquilo que perdemos não é legal, mas às vezes tudo volta. Dói ver todos os prejuízos que a família, a depressão e eu mesmo causamos à minha vida.
Daqui para frente é o que importam mas os prejuízos do passado ainda doem e muito.
Fui um jovem cheio de possibilidades, inteligentíssimo, talentoso, mas que não sabia lidar com as pessoas, nem com os fantasmas do passado, nem com a depressão que sempre esteve comigo, nem com as crises de ansiedade que sempre tive... Conclusão, fui um cara promissor, cheio de qualidades, mas que não conseguiu obter sucesso em nada na vida e hoje não consegue se sustentar sozinho, nem ter uma casa, nem ter um amor, nem ter uma relação estável... Isso dói. Porque o nome disso é fracasso. E sim, para melhorar tenho que aprender a me perdoar por ter fracassado tantas e tantas vezes e não apenas fingir que os fracassos nunca aconteceram.
Tenho que me perdoar pelas oportunidades perdidas, pelos empregos perdidos, pelo dinheiro que nunca ganhei, pela relação estável que nunca tive, pelas viagens que nunca fiz, pelos filhos que nunca tive, pela carreira que jamais consegui construir.
Não é fácil admitir-se fracassado e seguir em frente. Mas é impossível, para mim, tapar o sol com a peneira e fingir que minha vida foi um sucesso e um mar de rosas.
Encarar a realidade, por mais que ela doa. Admitir as perdas que tive e as cagadas que fiz na vida. Perdoar-me por essas perdas e cagadas. E seguir em frente porque ainda tem muita coisa boa para viver nessa vida.

4 comentários:

  1. Rick, comentei umas duas vezes aqui no seu blog... Eu estava me sentindo numa situação parecida com a sua, enfim, histórias parecidas, mas eu sou muito novo, estou no início de minha vida, e agora, saí de um relacionamento complicado, mas estou sentindo uma melhora absurda da depressão, estou conseguindo pensar em projetos para a frente, apesar dos problemas que a depressão causou no meu trabalho atual, mas mesmo assim, aqui no escritório tenho apoio, mesmo com todas as cagadas que essa doença maldita me fez cometer... Mas enfim, estou aprendendo que ela sempre esteve comigo, e enfim, tenho que conviver sabendo que ela estará ali, mas que eu posso viver! Espero que assim como a sua recuperação na saúde, venha também a recuperação no seu plano material, para que seja um pouco mais completo! :3

    Abraço!

    Raphie!

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  2. Olá Rick!Vim parar aqui no teu blog por acidente. li este post e fiquei instigado a ler outros. Admiro quem escreve bem e vc se expressa com muita facilidade.
    Bom, quanto ao que li, sei que é muito fácil opinar na vida alheia, mas baseado em experiência própria, digo-lhe que quando tudo fica pesado demais e a gente não sái do lugar, embora seja difícil pracarái, a unica solução, meu caro, é esvaziar a "mochila" pra caminhada seguir mais leve ( e isso inclui coisas muito complicadas, como esquecer, perdoar, acertar contas e "zerar").
    óbvio que não estou dizendo nada que vc já não saiba, mas estou aqui pagando este "micão" pq quis demonstrar solidariedade. Entendi que a vida pegou pesado contigo mesmo, mas vc tem duas armas poderosas: inteligencia e potencial.
    Quem sabe em 2013 não rola uma puta virada? Abração. Cláudio

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  3. Engraçado que li este texto e imaginei que pudesse ter sido escrito por mim pois é exatamente o que sinto e vivo atualmente... não é fácil viver com a sombra do passado que não me motiva em nada a recomeçar... penso que este ano pode ser de grandes mudanças porque pior não pode ficar... só preciso reunir forças e ter coragem... levantar a cabeça e seguir em frente mesmo sem o apoio de ninguém... o mesmo desejo a você FORÇA e CORAGEM... ninguém será capaz de mudar a nossa vida se não formos nós mesmos... tão difícil mas não impossível... Feliz 2013!!!

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  4. Parabéns Luuh acredito em você 2013 eu também vou melhorar.

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