E então conheço um dinamarquês. E então fico com aquele frio na barriga e me sinto apaixonado.
Putz, tô vivo.
O dinamarquês vai embora e eu fico aqui.
Vivo.
Depressão depressão...
Normalmente um depressivo sente uma culpa atroz por sentir o que sente, por pensar o que pensa. E tenta incorporar no seu discurso algum otimismo, alguma positividade. Já fiz isso muitas e muitas vezes. Mas aqui não vou fazer. Vou apenas expor.
terça-feira, 22 de maio de 2012
quarta-feira, 16 de maio de 2012
"Sobreviver" não é o suficiente.
"Sobreviver" não é o suficiente.
Depois de uma depressão longa e profunda a gente entra no "modo sobreviver".
Isso quer dizer, não há mais perigo de suicídio, nem de se perder na cama o dia inteiro sem forças para levantar, nem de chorar o dia inteiro, enfim, aquela dor intensa já passou.
Você sobrevive, mas sem encontrar muito sentido nas coisas.
Sem muito prazer, sem muita alegria.
É como se você estivesse "sobrevivendo" e não "vivendo".
Isso é bom no início, você está exausto, precisa de descanso, precisa de calma...
Antes você estava no modo sofrer intensamente e o sentido era sair daquele estado e salvar a sua vida.
Você sobreviveu.
Mas e agora?
Esse "sobreviver" é o suficiente para você?
Para mim não é.
Preciso me sentir mais vivo, mais integrado à vida, ao trabalho, ao amor, aos meus projetos...
E ainda estou isolado. Não sofro mais, mas não consigo voltar a vida de modo mais integral.
Ou, em algumas áreas, terei que aprender como viver de modo mais integral porque nunca vivi assim antes. Eu sei que devemos aceitar limitações.
Mas eu quero muito ter uma vida mais produtiva, com mais trabalho, mais dinheiro, mais amor, mais amigos, mais trocas... Não quero viver "sobrevivendo" e assistindo a vida dos outros acontecer enquanto a minha parece estar suspensa.
Isso sempre me deprimiu, desde criança, porque como meus pais não trabalhavam, tinham dinheiro herdado e não faziam nada, não conseguiam ter carreiras profissionais, amigos, eu ficava mal, querendo uma vida diferente daquela.
Supostamente, adulto eu poderia fazer essa vida diferente que eu queria. Em muitos pontos fiz, mas em outros não.
Já "sobrevivo" há muito tempo e apesar de muitas coisas. Sobrevivi aos meus pais, ao abuso, à depressão, à apnéia do sono...
Agora é hora de viver.
Quero viver.
Chega de drama e de dor tão intensos.
Chega.
Quero reconstruir.
Isso faz parte da recuperação ou faz parte das coisas que a minha cabeça inventa.
Não importa.
Hoje quero dizer só isso: sobreviver foi legal até um momento, hoje quero VIVER.
Quero sim alegria, entusiasmo, projetos realizados, trabalhar, ganhar meu dinheiro, ter um amor, adotar um filho... Os problemas eu já tenho todos, e aceito até ter outros novos, diferentes, mas quero VIVER. Que com cada uma dessas coisas que desejo agora virão mais problemas, eu já sei,
ok. Aceito. Vamos tentar lidar com eles, vamos tentar resolver e se não der pra resolver a gente aceita, sei lá...
Mas quero VIVER.
Depois de uma depressão longa e profunda a gente entra no "modo sobreviver".
Isso quer dizer, não há mais perigo de suicídio, nem de se perder na cama o dia inteiro sem forças para levantar, nem de chorar o dia inteiro, enfim, aquela dor intensa já passou.
Você sobrevive, mas sem encontrar muito sentido nas coisas.
Sem muito prazer, sem muita alegria.
É como se você estivesse "sobrevivendo" e não "vivendo".
Isso é bom no início, você está exausto, precisa de descanso, precisa de calma...
Antes você estava no modo sofrer intensamente e o sentido era sair daquele estado e salvar a sua vida.
Você sobreviveu.
Mas e agora?
Esse "sobreviver" é o suficiente para você?
Para mim não é.
Preciso me sentir mais vivo, mais integrado à vida, ao trabalho, ao amor, aos meus projetos...
E ainda estou isolado. Não sofro mais, mas não consigo voltar a vida de modo mais integral.
Ou, em algumas áreas, terei que aprender como viver de modo mais integral porque nunca vivi assim antes. Eu sei que devemos aceitar limitações.
Mas eu quero muito ter uma vida mais produtiva, com mais trabalho, mais dinheiro, mais amor, mais amigos, mais trocas... Não quero viver "sobrevivendo" e assistindo a vida dos outros acontecer enquanto a minha parece estar suspensa.
Isso sempre me deprimiu, desde criança, porque como meus pais não trabalhavam, tinham dinheiro herdado e não faziam nada, não conseguiam ter carreiras profissionais, amigos, eu ficava mal, querendo uma vida diferente daquela.
Supostamente, adulto eu poderia fazer essa vida diferente que eu queria. Em muitos pontos fiz, mas em outros não.
Já "sobrevivo" há muito tempo e apesar de muitas coisas. Sobrevivi aos meus pais, ao abuso, à depressão, à apnéia do sono...
Agora é hora de viver.
Quero viver.
Chega de drama e de dor tão intensos.
Chega.
Quero reconstruir.
Isso faz parte da recuperação ou faz parte das coisas que a minha cabeça inventa.
Não importa.
Hoje quero dizer só isso: sobreviver foi legal até um momento, hoje quero VIVER.
Quero sim alegria, entusiasmo, projetos realizados, trabalhar, ganhar meu dinheiro, ter um amor, adotar um filho... Os problemas eu já tenho todos, e aceito até ter outros novos, diferentes, mas quero VIVER. Que com cada uma dessas coisas que desejo agora virão mais problemas, eu já sei,
ok. Aceito. Vamos tentar lidar com eles, vamos tentar resolver e se não der pra resolver a gente aceita, sei lá...
Mas quero VIVER.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Voltar à vida não é fácil, preciso de ajuda!
Esse final de semana foi difícil pra mim. Dormi mal, apnéias eu acho, sonhos ruins e um cansaço grande. Acho que meu cpap não tá muito bem regulado. Além disso, tive uma sessão de análise na sexta-feira, foi difícil. A questão do trabalho segue sendo um grande desafio para mim. Nunca fiquei totalmente sem trabalho nesse tempo, sempre houve coisas acontecendo. Há dois anos dou aulas nos cursos de pós-graduação de uma boa escola. Mas isso não é regular. E não é o suficiente para que eu consiga viver. E eu não sei mais buscar trabalho, ou nunca soube.
Sempre tive esse problema, não sou de fazer contatos, me aproximar das pessoas, sumo, depois volto...
Fiz entrevistas em mil lugares nos últimos anos e nada deu certo. Ninguém mais me chamou para trabalho algum... Parece que o mundo está contra mim. Papo de adolescente depressivo esse, mas é o que sinto. E pior, sinto que se é pra ficar assim, eu preferia ter tido coragem de me matar um ano atrás.
Isso sempre me vem a cabeça, preferia ter morrido, preferia não estar mais aqui.
Cada dia dessa vida vazia e sem sentido, sem alegria, sem amor, sem trabalho me diz que eu preferia não estar mais aqui.
Segunda-feira de manhã e o demônio da depressão em me vistar.
QUERO agora é ter mais trabalho, poder reconstruir minha casa, ter alguns prazeres na vida.
QUERO me alimentar bem e fazer exercícios.
QUERO voltar a ter amigos e alegria na vida.
QUERO me sentir vivo.
Não há vida na depressão.
Quando me sinto assim, venho aqui e falo com vocês, amigos calados e invisíveis.
Se fala tanto em depressão, em sair da depressão, em evitar o suicídio. Na verdade, poderiam falar muito mais, e muito melhor.
Mas e a recuperação? Aquele momento em que você não sente mais desespero, não sente mais vontade de sem matar, tem energia para trabalhar e se divertir, tem vontade de trabalhar e se divertir, tem vontade de amar, transar, viajar, mas não sabe como fazer isso porque ficou tanto tempo isolado do mundo que perdeu o caminho?
Como que a gente recomeça a vida depois de uma depressão longa e profunda?
Disso ninguém fala.
O psiquiatra quer que eu melhore com o remedinho e pare de pensar em me matar. Os amigos querem que eu pare de chorar enquanto olho por nada. Os familiares querem que eu volte a sorrir.
O terapeuta quer que eu aprenda a conviver com o passado, com as dores e possa seguir a vida.
Pronto, tudo isso aconteceu.
Os remédios fizeram efeito.
Não choro mais o dia inteiro.
Meu bom humor voltou.
Minha libido voltou.
Voltei a falar com meu pai depois de 15 anos e hoje tenho uma boa relação com ele.
Voltei a falar com minha mãe, consegui conviver com ela sem brigas, sem agressões...
Perdoei meus pais pelo que me fizeram no passado.
Continuo dando aulas que os alunos e os outros professores adoram. Nunca parei, nem nos piores momentos.
Mas ainda me sinto um pouco deprimido, sem muita vontade de viver, cansado.
Quem acompanha esse blog sabe que embarquei num profundo processo de autoconhecimento, autoaceitação, perdão, reconciliação... Enfrentei os mais assustadores fantasmas do meu passado, e me entendi com eles...
Aí parece que a depressão passou, que tea tudo bem e é só seguir a vida.
NÃO É ASSIM.
Eu não sei nem por onde começar. Não sei como conseguir mais trabalho. preciso de uma identidade profissional novamente, preciso ter condições de me sustentar financeiramente sem pedir ajuda p[ra ninguém...
E não existe nenhum apoio para esse momento. Nenhum.
Depois de passar a fase aguda da depressão acho que é quando precisamos de mais ajuda, porque ainda me sinto numa corda bamba. Cair de novo é coisa fácil. Tudo é muito recente e frágil.
Tudo é muito frágil.
Tem gente que justamente nesse momento acha que está pronto e pode retirar o remédio. E aí está o perigo. Esse é o início de uma recuperação difícil. O remédio não resolve a minha vida, mas não quero nenhuma mudança na química do meu cérebro nesse momento, por isso continuarei com ele.
Preciso de ajuda para reconstruir a minha vida.
Sabe quando alguém fica muito tempo na cadeia e no final, quando é solto, vai para um daqueles programas de reabilitação, para se ressocialisar, fazer um curso, arranjar um emprego? Tá isso é exemplo de filme americano eu sei... Mas eu preciso de uma ajuda assim. E acho que muitos depressivos precisam também.
Tenho medo que o tempo acabe antes de eu conseguir.
Sempre tive esse problema, não sou de fazer contatos, me aproximar das pessoas, sumo, depois volto...
Fiz entrevistas em mil lugares nos últimos anos e nada deu certo. Ninguém mais me chamou para trabalho algum... Parece que o mundo está contra mim. Papo de adolescente depressivo esse, mas é o que sinto. E pior, sinto que se é pra ficar assim, eu preferia ter tido coragem de me matar um ano atrás.
Isso sempre me vem a cabeça, preferia ter morrido, preferia não estar mais aqui.
Cada dia dessa vida vazia e sem sentido, sem alegria, sem amor, sem trabalho me diz que eu preferia não estar mais aqui.
Segunda-feira de manhã e o demônio da depressão em me vistar.
QUERO agora é ter mais trabalho, poder reconstruir minha casa, ter alguns prazeres na vida.
QUERO me alimentar bem e fazer exercícios.
QUERO voltar a ter amigos e alegria na vida.
QUERO me sentir vivo.
Não há vida na depressão.
Quando me sinto assim, venho aqui e falo com vocês, amigos calados e invisíveis.
Se fala tanto em depressão, em sair da depressão, em evitar o suicídio. Na verdade, poderiam falar muito mais, e muito melhor.
Mas e a recuperação? Aquele momento em que você não sente mais desespero, não sente mais vontade de sem matar, tem energia para trabalhar e se divertir, tem vontade de trabalhar e se divertir, tem vontade de amar, transar, viajar, mas não sabe como fazer isso porque ficou tanto tempo isolado do mundo que perdeu o caminho?
Como que a gente recomeça a vida depois de uma depressão longa e profunda?
Disso ninguém fala.
O psiquiatra quer que eu melhore com o remedinho e pare de pensar em me matar. Os amigos querem que eu pare de chorar enquanto olho por nada. Os familiares querem que eu volte a sorrir.
O terapeuta quer que eu aprenda a conviver com o passado, com as dores e possa seguir a vida.
Pronto, tudo isso aconteceu.
Os remédios fizeram efeito.
Não choro mais o dia inteiro.
Meu bom humor voltou.
Minha libido voltou.
Voltei a falar com meu pai depois de 15 anos e hoje tenho uma boa relação com ele.
Voltei a falar com minha mãe, consegui conviver com ela sem brigas, sem agressões...
Perdoei meus pais pelo que me fizeram no passado.
Continuo dando aulas que os alunos e os outros professores adoram. Nunca parei, nem nos piores momentos.
Mas ainda me sinto um pouco deprimido, sem muita vontade de viver, cansado.
Quem acompanha esse blog sabe que embarquei num profundo processo de autoconhecimento, autoaceitação, perdão, reconciliação... Enfrentei os mais assustadores fantasmas do meu passado, e me entendi com eles...
Aí parece que a depressão passou, que tea tudo bem e é só seguir a vida.
NÃO É ASSIM.
Eu não sei nem por onde começar. Não sei como conseguir mais trabalho. preciso de uma identidade profissional novamente, preciso ter condições de me sustentar financeiramente sem pedir ajuda p[ra ninguém...
E não existe nenhum apoio para esse momento. Nenhum.
Depois de passar a fase aguda da depressão acho que é quando precisamos de mais ajuda, porque ainda me sinto numa corda bamba. Cair de novo é coisa fácil. Tudo é muito recente e frágil.
Tudo é muito frágil.
Tem gente que justamente nesse momento acha que está pronto e pode retirar o remédio. E aí está o perigo. Esse é o início de uma recuperação difícil. O remédio não resolve a minha vida, mas não quero nenhuma mudança na química do meu cérebro nesse momento, por isso continuarei com ele.
Preciso de ajuda para reconstruir a minha vida.
Sabe quando alguém fica muito tempo na cadeia e no final, quando é solto, vai para um daqueles programas de reabilitação, para se ressocialisar, fazer um curso, arranjar um emprego? Tá isso é exemplo de filme americano eu sei... Mas eu preciso de uma ajuda assim. E acho que muitos depressivos precisam também.
Tenho medo que o tempo acabe antes de eu conseguir.
domingo, 13 de maio de 2012
Depressão e reconstruir = MEDO
Isso mesmo, é hora de reconstruir. Mais uma vez. O fato de que eu tenha feito isso tantas vezes na vida, sem ajuda de ninguém, sem a compreensão de ninguém, antes me dava um certo orgulho: sou forte, posso renascer sozinho, sair de uma situação horrenda e reaparecer novinho em folha depois de um tempo. Só que o tempo foi passando e vi que eu fiquei sentindo esse prazer de tempos em tempos e nunca senti o prazer de olhar pra tras e verum caminho trilhado, alguma coisa construida. Meu caminho era sempre algo interrompido, que ficou pela metade, que eu não consegui trilhar mais. Havia sempre um momento em que eu caía num buraco e ficava lá tentando sobreviver. E quando saía do buraco onde estava o meu caminho? Não estava. Não existia. Ou eu não conseguia mais vê-lo. E aí começa tudo de novo. Mas ficava feliz de ver que eu podia.
Hoje eu vejo que nunca segui nenhum desses caminhos, porque a cada tombo, cada depressão, eu reinventava tudo e ia por outro rumo. Hoje eu quero ter alguma coisa e não consigo ter nada. Não consigo saber por onde ir. Não consigo nem mais ter a mesma energia que eu tinha antes para começar tudo de novo. Tenho que pensar em mim. E não sei fazer isso. Tenho que trabalhar por mim, e não sei fazer isso.
Fui criado pra ser um nada e aprendi a ser assim, um nada, um submisso, um cara em que todo mundo manda e que não tem vida própria.
Rompi com tudo isso. Um dia me deu a louca, coloquei todos os meus móveis num caminhão de mudança, aluguei um apartamento em São Paulo ( na época eu tinha um trabalho que me permitia morar em outra cidade e me pagava muito bem). Vim pra cá pra fugir da minha mãe, da minha família sufocante que achava que ter um filho depressivo dentro de casa era ótimo, já que não tendo vida própria eu poderia cuidar da vida de todos eles.
Rompi com isso.
Tive uma vida super feliz aqui por alguns anos, apesar de sempre ter que tratar e lidar com a depressão. Mas a´ˆas coisas ficaram mais e mais complicadas e perdi o controle das coisas. Sozinho, deprimido, sem ninguém, numa cidade como São Paulo, enfim... segurei, busquei tratamento, busquei trabalho, quase morri...
Agora o pior já passou, mas tenho que reconstruir, recomeçar, aquilo que me dava tanta energia e prazer há uns anos, e não estou conseguindo. Não sei nem por onde começar.
Hoje eu vejo que nunca segui nenhum desses caminhos, porque a cada tombo, cada depressão, eu reinventava tudo e ia por outro rumo. Hoje eu quero ter alguma coisa e não consigo ter nada. Não consigo saber por onde ir. Não consigo nem mais ter a mesma energia que eu tinha antes para começar tudo de novo. Tenho que pensar em mim. E não sei fazer isso. Tenho que trabalhar por mim, e não sei fazer isso.
Fui criado pra ser um nada e aprendi a ser assim, um nada, um submisso, um cara em que todo mundo manda e que não tem vida própria.
Rompi com tudo isso. Um dia me deu a louca, coloquei todos os meus móveis num caminhão de mudança, aluguei um apartamento em São Paulo ( na época eu tinha um trabalho que me permitia morar em outra cidade e me pagava muito bem). Vim pra cá pra fugir da minha mãe, da minha família sufocante que achava que ter um filho depressivo dentro de casa era ótimo, já que não tendo vida própria eu poderia cuidar da vida de todos eles.
Rompi com isso.
Tive uma vida super feliz aqui por alguns anos, apesar de sempre ter que tratar e lidar com a depressão. Mas a´ˆas coisas ficaram mais e mais complicadas e perdi o controle das coisas. Sozinho, deprimido, sem ninguém, numa cidade como São Paulo, enfim... segurei, busquei tratamento, busquei trabalho, quase morri...
Agora o pior já passou, mas tenho que reconstruir, recomeçar, aquilo que me dava tanta energia e prazer há uns anos, e não estou conseguindo. Não sei nem por onde começar.
sábado, 12 de maio de 2012
Apnéia do Sono e Depressão...
Hoje foi um dia de desconforto pra mim. Peito meio apertado. Eu tenho apnéia do sono , uso o aparelho cpap pra dormir. Há dias que funciona melhor e dias que funciona pior. E acordo muito mal. Aí existe uma confusão, o que é consequência da apnéia? o que é depressão? Difícil saber...
Hoje tive uma noite ruim. A máscara do aparelho ás vezes sai do lugar no meio da noite e não funciona. Já fiz um post sobre isso. Mas é uma doença que a gente tem que com dias melhores , outros piores e tem relação com cansaço diário, alterações de humor, depressão, impotência sexual, hipertensão, doenças cardiovasculares... E ainda tem que se acostumar a dormir com aquele trambolho na cara, o que também não é fácil.
Hoje foi uma noite difícil, me deixou o dia inteiro cansado, com dor no peito...
A vida, para mi m passou a ter esses dias de cansaço e desânimo. E aí nunca sei se é a depressão voltando, se é só a noite mal dormida, com falta de oxigênio no cérebro, não sei... Sei que é ruim e me deixa improdutivo e triste.
Ainda acho que os médicos não sabem merda nenhum de apnéia e ficam testando coisas na gente. O aparelho realmente melhora a vida, mas não resolve.
Hoje queria estar com alguém ao meu lado, pra me dar apoio, mas não tenho ninguém desde que esse inferno de depressão e apnéia começou na minha vida.
Talvez esse desânimo de hoje tenha a ver com o fato de ontem eu ter ido a análise e falado sobre as minhas dificuldades de trabalho. Que não sei como resolver, Tio sem grana, sem casa, sem muito trabalho e não aprendi, ao longo da minha vida, a resolver essas coisas. Não sei nem onde levar um currículo. Não sei nada, Me sinto um perdido, inútil, incapaz...
Tenho que aprender o que as pessoas aprendem aos 20 anos agora. Tenho que aprender porque uma vida sem trabalho, dinheiro, independência e autonomia eu não quero. Eu quero ser um homem completo e se sustentar financeiramente com dignidade é ser um homem completo, todos os meus amigos conseguem isso e que quero conseguir também. E depressão não é desculpa, porque conheço um monte de depressivos com trabalhos ótimos. Minha história familiar e de vida explique isso. Sei lá, mas me sinto um índio no meio da selva, abobalhado que cresceu sem aprender a caçar e agora vai ter que se virar sozinho. E tá morrendo de medo!
Hoje tive uma noite ruim. A máscara do aparelho ás vezes sai do lugar no meio da noite e não funciona. Já fiz um post sobre isso. Mas é uma doença que a gente tem que com dias melhores , outros piores e tem relação com cansaço diário, alterações de humor, depressão, impotência sexual, hipertensão, doenças cardiovasculares... E ainda tem que se acostumar a dormir com aquele trambolho na cara, o que também não é fácil.
Hoje foi uma noite difícil, me deixou o dia inteiro cansado, com dor no peito...
A vida, para mi m passou a ter esses dias de cansaço e desânimo. E aí nunca sei se é a depressão voltando, se é só a noite mal dormida, com falta de oxigênio no cérebro, não sei... Sei que é ruim e me deixa improdutivo e triste.
Ainda acho que os médicos não sabem merda nenhum de apnéia e ficam testando coisas na gente. O aparelho realmente melhora a vida, mas não resolve.
Hoje queria estar com alguém ao meu lado, pra me dar apoio, mas não tenho ninguém desde que esse inferno de depressão e apnéia começou na minha vida.
Talvez esse desânimo de hoje tenha a ver com o fato de ontem eu ter ido a análise e falado sobre as minhas dificuldades de trabalho. Que não sei como resolver, Tio sem grana, sem casa, sem muito trabalho e não aprendi, ao longo da minha vida, a resolver essas coisas. Não sei nem onde levar um currículo. Não sei nada, Me sinto um perdido, inútil, incapaz...
Tenho que aprender o que as pessoas aprendem aos 20 anos agora. Tenho que aprender porque uma vida sem trabalho, dinheiro, independência e autonomia eu não quero. Eu quero ser um homem completo e se sustentar financeiramente com dignidade é ser um homem completo, todos os meus amigos conseguem isso e que quero conseguir também. E depressão não é desculpa, porque conheço um monte de depressivos com trabalhos ótimos. Minha história familiar e de vida explique isso. Sei lá, mas me sinto um índio no meio da selva, abobalhado que cresceu sem aprender a caçar e agora vai ter que se virar sozinho. E tá morrendo de medo!
sexta-feira, 11 de maio de 2012
O BIPOLAR PAPÃO VAI TE PEGAR...
Ha, ha, ha... Você entra numa depressão, fica três anos tentando sair dela e quando, finalmente, consegue botar a cabeça pra fora d'água e respirar, tem que resolver TODA a sua vida que ficou em frangalhos. E veja bem, como um bom depressivo, você não é nada bom em resolver as coisas. Nem as coisas simples, quanto mais as muito, muito complicadas. Pois é assim mesmo.
Se você não tem a sorte de tem uma família que tenha condições de te ajudar, ou um emprego público que te dê a garantia de ficar doente, sair de licença e voltar. Você tá fodido.
Hei, é assim que estou: feliz por estar finalmente saindo de uma depressão que quase me matou algumas vezes, A-PA-VO-RA-DO com a minha vida que está em frangalhos. tenho que arranjar mais trabalho, mais dinheiro, um lugar pra morar, pagar dívidas, etc, etc, etc...
E como já disse: nunca fui bom em resolver nada nessa vida.
As pessoas ao redor... Melhor nem comentar porque as pessoas ao redor sempre sabem o que te dizer, e nessa horas que você começa a melhorar elas acham que você já está ótimo, e acham que você precisa de uma "chamada de antenção, sabe?" A wake up call! Então elas olham pra você e dizem : você tem que fazer isso, aquilo e aquilo outro... e elas falam bravas como se estivessem falando com uma criança mimada que não fez a lição de casa. Aí, você tem que escutar calado, porque se você for explicar que esteve deprimido e simplesmente não teve condições de fazer essas coisas elas sempre vão achar que o que você precisa é de força de vontade. E ainda dizzem assim: "olha pra mim, eu tenho problemas sérios, tenho mil coisas pra fazer e resolvo tudo e estou sempre feliz..." E você escuta e não fala nada porque depressivo, se discutir com alguém, vira bipolar ( na cabeça das pessoas, basta um depressivo se irritar e mandar um: "ah, gente, não enche o meu saco..." que vem a resposta: Hummm, acho que ele não é "só" depressivo, acho que ele é Bi-po-lar. Sim, bipolar é um bicho papão verde e peludo que vem pegar as criancinhas inocentes de noite.
Então ficamos assim: se você escuta as merdas que te dizem e não responde nada, isso significa que você não escuta ninguém. Se você escuta as mesmas merdas e diz que está tentando o máximo que você pode, mas essa doença tira tuas energias; te dizem: você é um acomodado, é muito confortável pra você ficar aí parado. Se você escuta as merdas, fica puto e diz: Porra, vocês não são capazes de entender que tô me tratando, fazendo o possível, mas essa é uma doença séria, incapacitante e que causa a morte de milhares de pessoas? Vocês são burros? Vivem em que planeta afinal? Nunca leram nada sobre isso? Aí todos ficam em silêncio, se entreolham com os olhos arregalados, esperam você sair da sala e dizem : viu, ele é BI-PO-LAR...
Quer saber? Tomá no cu todo mundo!
Se você não tem a sorte de tem uma família que tenha condições de te ajudar, ou um emprego público que te dê a garantia de ficar doente, sair de licença e voltar. Você tá fodido.
Hei, é assim que estou: feliz por estar finalmente saindo de uma depressão que quase me matou algumas vezes, A-PA-VO-RA-DO com a minha vida que está em frangalhos. tenho que arranjar mais trabalho, mais dinheiro, um lugar pra morar, pagar dívidas, etc, etc, etc...
E como já disse: nunca fui bom em resolver nada nessa vida.
As pessoas ao redor... Melhor nem comentar porque as pessoas ao redor sempre sabem o que te dizer, e nessa horas que você começa a melhorar elas acham que você já está ótimo, e acham que você precisa de uma "chamada de antenção, sabe?" A wake up call! Então elas olham pra você e dizem : você tem que fazer isso, aquilo e aquilo outro... e elas falam bravas como se estivessem falando com uma criança mimada que não fez a lição de casa. Aí, você tem que escutar calado, porque se você for explicar que esteve deprimido e simplesmente não teve condições de fazer essas coisas elas sempre vão achar que o que você precisa é de força de vontade. E ainda dizzem assim: "olha pra mim, eu tenho problemas sérios, tenho mil coisas pra fazer e resolvo tudo e estou sempre feliz..." E você escuta e não fala nada porque depressivo, se discutir com alguém, vira bipolar ( na cabeça das pessoas, basta um depressivo se irritar e mandar um: "ah, gente, não enche o meu saco..." que vem a resposta: Hummm, acho que ele não é "só" depressivo, acho que ele é Bi-po-lar. Sim, bipolar é um bicho papão verde e peludo que vem pegar as criancinhas inocentes de noite.
Então ficamos assim: se você escuta as merdas que te dizem e não responde nada, isso significa que você não escuta ninguém. Se você escuta as mesmas merdas e diz que está tentando o máximo que você pode, mas essa doença tira tuas energias; te dizem: você é um acomodado, é muito confortável pra você ficar aí parado. Se você escuta as merdas, fica puto e diz: Porra, vocês não são capazes de entender que tô me tratando, fazendo o possível, mas essa é uma doença séria, incapacitante e que causa a morte de milhares de pessoas? Vocês são burros? Vivem em que planeta afinal? Nunca leram nada sobre isso? Aí todos ficam em silêncio, se entreolham com os olhos arregalados, esperam você sair da sala e dizem : viu, ele é BI-PO-LAR...
Quer saber? Tomá no cu todo mundo!
quarta-feira, 9 de maio de 2012
ME PERDOAR PELOS PREJUÍZOS
ME PERDOAR PELOS PREJUÍZOS que a depressão, a vida e eu mesmo me causaram, isso eu AINDA não consegui. Já aprendi que o perdão "acontece". Ele não é programado, forçado, estimulado... Ele acontece, simples assim... Quando você vie aquilo não tem mais a mesma força dentro de você, os sentimentos ruins se dissipam e a vida fica mais leve. Posso dizer aos quatro ventos: me perdoei por não ter tido o sucesso que eu queria ter na vida. Posso mesmo. posso até gritar, escrever aqui mil vezes, rezar toda noite e repetir que já me perdoei... Mas não será verdade. Enquanto o perdão não acontecer eu ainda terei raiva de mim mesmo e gastarei muito do meu tempo pensando no passado, nas perdas que tive, no que poderia ter sido e não foi.
Não me perdoei por não ter vencido o jugo da minha família cedo e ter ido cuidar da minha vida.
Não me perdoei por não ter casado, tido um relacionamento estável e duradouro.
Não me perdoei por não ter sucesso, dinheiro e fama. (sim, sou infantil a esse nível).
não me perdoei por um monte de coisas que meu ego monstruoso me disse que eu deveria ter feito na vida.
Posso fingir que perdoei, mas não será real, até que o perdão resolva acontecer.
E aí, perdão, vamo agilizá?
Não me perdoei por não ter vencido o jugo da minha família cedo e ter ido cuidar da minha vida.
Não me perdoei por não ter casado, tido um relacionamento estável e duradouro.
Não me perdoei por não ter sucesso, dinheiro e fama. (sim, sou infantil a esse nível).
não me perdoei por um monte de coisas que meu ego monstruoso me disse que eu deveria ter feito na vida.
Posso fingir que perdoei, mas não será real, até que o perdão resolva acontecer.
E aí, perdão, vamo agilizá?
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